A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

heresia

heresia

entre o ser e a essência
não há evidências
apenas dogmas
sentenças e estigmas
forçosa doutrina
a mim não determina

pois prefiro a heresia
em vez da guerra fria
por uma idolatria

entre fé e descrença
não há diferença
apenas escolhas
e escondidas vergonhas
de teor moralista
a mim não conquistam

pois prefiro a heresia
em vez da vã teoria
pela teologia

entre crença e razão
não há argumentação
apenas falácia
nenhuma eficácia
e nenhum silogismo
sob a luz do tomismo

pois prefiro a heresia
em vez da Filosofia
no fogo da Inquisição

sacharuk

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