A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Entre(meios)

Entre(meios)

Detrás dos olhos fechados
Redescubro a nossa nudez
Percorro o teu corpo suado
Diluído na minha insensatez

E tu entras em mim
Com teus meios
Sem receio, sem arreios
Eu prometo te levar ao fim

Eu bebo de ti os segredos
Me lanças na face meus medos
Que dissipo sobre meus seios
No mérito dos meus anseios

Eu sugo de ti a saliva
E de ares tu vens e me priva
Enrosca-se nos meus cabelos
Misturas teu pêlos em meus pêlos

E com os olhos fechados ainda
Eternizas a tua promessa
E num êxtase que nunca finda
Tu me beijas, agora sem pressa

Lena Ferreira & Sacharuk

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