A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

dezesseis pétalas


dezesseis pétalas 

eflúvio de éter 
azul e laringe 
expressão e esfinge 
do meu eu, ser 

para despetalar 
dezesseis pétalas 
é preciso começar 
pelas pontas 
até o rebento 
do meu centro 

plena voz 
de quatro elementos 
seus argumentos 
e sua dissolução 

para repetalar 
dezesseis despétalas 
é preciso terminar 
no centro 
onde guardo o ar 
meu sustento 

nó da sublimação 
no mais alto 
o salto 
da evolução

sacharuk

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