A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

às vezes sou o quanto tu és


às vezes sou o quanto tu és

às vezes sorrio
às vezes sou rio
às vezes sou nó dos ventos do sul

sou blue quando azul
sou eu mais de mil
sou a vertente das tuas belezas

o quanto a ti são certezas
o quanto a mim são bobagens
o quanto sou epicentro das tuas viagens

tu és meu tempo e querência
tu és momento e essência
tu és o cais da minhas ancoragens

sacharuk

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