A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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terça-feira, 30 de junho de 2020

seixos segmentados

seixos segmentados

solte sua sábia semente seca
sob sol sentinela sutil
soterrando símbolos sagrados
sob solo sarado servil

seu sacerdócio 
sua súplica
seguirão sonhos singulares
sequestrarão sistemas solares

se sentires seus segredos 
serem sabiamente selados
sua serenidade será sangrada
sobrarão seixos segmentados

sacharuk




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