A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 29 de junho de 2020

meus guris

fotografia de Andréa Iunes

meus guris

não saiam da rima
não percam o clima
tudo o que a vida ensina
é a insistência dos dias
a perpetuação das manias
e os disfarces da poesia

como disse tia Marisa
se eu não me engano
sintam no rosto a brisa
liberta do minuano

escrevam em versos a vida
caso for dolorida
caso for desengano
façam dela poema
sem tino e sem plano
sem razão ou emblema
até fora de esquema
ou propósito insano

façam dos dias dilemas
dos inimigos teus manos
das danadas dores
dos amados amores
 não façam danos

jamais se esqueçam
que os nossos problemas
são desafios dos arcanos

e sempre compreendam
que o horror dos sistemas
são desígnios humanos

sacharuk

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