A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 29 de junho de 2020

vislumbre

vislumbre

as mãos abriram a cela
busquei espaços
novos traços
novas esferas
a compreensão
de um novo código

naveguei nas galeras
perdi o avião
voltei como pródigo
para apertar os laços
e não perder a razão
beijar o cimento do chão

as mãos rasgaram a mudez
da timidez de versos rasos
vaguei infinitos parnasos
vales de letras belas
e jamais terei a certeza
de que saí da minha janela

sacharuk
ilustrações-4

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