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A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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vício

vício

meu vício em ti despejo
no teu feitiço maldito
até que eu perca o sentido
vingado, pregado, vencido

na magia do teu rito
a chama arde de desejo
eu encantado no ensejo
um prazer louco, aflito

faz momento calado, retido
armado, desalmado, temido
a maravilha do teu grito
tua nudez que só eu vejo

na relíquia do teu beijo
de bicho, irado, instinto
aberto, regado, despido
fatalmente desmedido

sacharuk

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