A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

segunda-feira, 29 de junho de 2020

figuras e máculas

figuras e máculas

ao longo das tuas omoplatas
pousei minhas mãos trêmulas
na textura frágil compacta
deslizaram lentas efêmeras

percorri tuas curvas fêmeas
carícias caíram em cascatas
teu seio de mamas gêmeas
enfeitiçou os meus olhos

um mar de atóis e abrolhos
avistei das areias morenas
e teus gentis territórios
devastei com gana pirata

vi tua nudez pelas matas
tal andarilha sonâmbula
de deliberações inexatas
a letal borboleta falena

poesia lasciva e obscena
que sussurraste insensata
teu corpo de luzes helenas
resplandecentes no ofertório

em minha tez tatuei capitólio
com tuas expressões sarracenas
plasmei traços compulsórios
das nossas figuras e máculas

sacharuk


Nenhum comentário:

Postar um comentário