A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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terça-feira, 16 de junho de 2020

deixo meus disfarces

deixo meus disfarces

meus disfarces abandonados
traumas vícios pecados
hoje faço vigília na noite
e uso os meus artifícios
para o teu doce descanso

sou remanso enluarado
dormes sem sacrifício
e fico bem ao teu lado
a zelar pelo sono
e uso os meus feitiços
para que tenhas proteção

largo meus disfarces
entre nossas conversas
intercalados nos versos
e nas linhas da face
que toco com os dedos
para descobrir
teus insanos segredos

meu coração machucado
teme que sumas
em qualquer titubeio
e fica acordado a pensar
o tempo inteiro
em merecer teu carinho
inundado de amor

troco meus disfarces
por portas abertas
e algumas promessas
para o desenlace
dos teus enredos
e ver sucumbir
os teus medos

e também
os meus

deixo meus disfarces
bem junto aos teus
nas entrelinhas
das nossas palavras

(palavras que impregnam
eu sinto)

sacharuk

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