A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quinta-feira, 18 de junho de 2020

Rapunvelho e a flor de rabanete


Radijs_bloemen_Raphanus_sativus_subsp._sativus._jpgfoto: Katia Horn


Rapunvelho e a flor de rabanete

na colheita vindoura
brotarão tuberosas
no cercado de muro
que apenas bruxa louca
pilotando vassoura
se atreveria a soprepor

o ancião Rapunvelho
espargiu sementes
de rabanetes
viu florescer
e crescer seu amor

os tempos de sol 
as barbas brancas
tranças de esperança
sobre a horta semeada
ao pé da torre

sacharuk

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