A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quinta-feira, 18 de junho de 2020

quase luz no imenso vazio

Rogério Germani

Quase luz no imenso vazio

Na janela, ela aguarda eclipses
ouve passos de enfunados sapos
arrisca um assovio 
um chiste
uma palavra que traga nova estrela
na ponta do dedo em riste

Na janela, ela não desiste
o olhar desenha outros espaços
no concreto, nos rios
na paisagem triste
planta motes de incauta beleza
na longitude dos traços

na outrora janela de sorrisos largos
ela insiste em coroar um verso
(quase luz no imenso vazio)
arrisca passos úmidos no puído caderno
e encontra a rima perfeita em seu silêncio
lágrima que desperta a poesia na alma

o sal liquefeito de amálgama
dispensa o amparo do lenço
e se funde no insight eterno
sobre um tempo de estio
quando o sol foi reflexo
e a poesia o afago.

Rogério Germani & Sacharuk

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