A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quinta-feira, 18 de junho de 2020

Frida e a janela

Frida e a janela

Eu sou Frida, a abandonada. Aos oito anos fui deixada aqui, na janela. Meus pais queriam amor e foram buscá-lo. A vizinha, Dona Herta, vem todos os dias, quatro vezes, e traz biscoitos, sanduíches e o almoço. Eu aguardo aqui, na janela, enquanto observo o monte, lá no fim, entre a campina e o horizonte. Eu sei de cada movimento, cada quero-quero, pardal e, logo abaixo, sei de cada boi magro e meus dois cachorros. Guaipa e Vanerão comem os restos do gado que morreu de fome. O sol matou o capim e as novas sementes continuam aguardando a chuva, tal como espero meus pais. O que sobrou já não é mais verde. Tem aquela cor tempo queimado, meio amarelo ou marrom.
Meus amigos são os periquitos, que conversam comigo lá do tronco seco. Azuis, verdes e amarelos. Eles insistem em falar sobre tempos tristes que jamais voltarão.

sacharuk

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