A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quinta-feira, 18 de junho de 2020

as horas e as águas

as horas e as águas

quedam-se águas de tristeza
destemperanças derramadas
perdem-se gotas de beleza
amolecidas
e consternadas

as horas insistem paradas
descaso que abraça o instante
leito infinito
no rumo do nada
desoriente ao navegante

os cristais não mostram futuro
apenas rochas indiferentes
as gemas opacas no escuro
jamais terão outro presente

as horas destilam cadentes
ponteando um tempo tardio
a dor que brotou na nascente
não vai cessar
o curso do rio

sacharuk
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