A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quinta-feira, 18 de junho de 2020

Figuras de linguagem - www.inspiraturas.org


FIGURAS DE LINGUAGEM
FIGURAS DE PALAVRAS
FIGURAS DE PENSAMENTO
FIGURAS DE CONSTRUÇÃO
Comparação (símile) – aproxima dois seres a partir de uma característica que lhes é comum. Pedro joga xadrez como seu pai.
Metáfora – comparação implícita entre dois seres. Ela tem o rosto de porcelana.

Catacrese (abuso) – dar um novo sentido a um termo já existente. Doía-lhe a barriga da perna.
Metonímia (sinédoque) – associação de termos e idéias relacionados que provoca a substituição de um termo por outro. Eu leio Machado de Assis.
Perífrase (antonomásia) – espécie de metonímia, porque implica na substituição de um nome próprio por uma circunstância ou qualidade que a ele se refere. A Cidade-Luz continua bela e majestosa.
Sinestesia – misturam-se, numa mesma expressão, sensações percebidas por diferentes sentidos ao mesmo tempo. “Os olhos, magnetizados, escutam.” (Carlos Drummond de Andrade)







Apóstrofe – interpelação de alguém em meio ao discurso. Ó espíritos errantes sobre a terra! (Castro Alves)
Antítese (contraste) – emprego de palavras que se opõem quanto ao sentido. As sempre-vivas morreram.
Hipérbole – exagero da expressão para reforçar uma idéia. Sabia de cor mil e duzentas orações.
Prosopopéia (personificação) – atribuição de atitudes inanimadas ou humanas a seres inanimados ou irracionais. Exemplo: histórias em quadrinhos.
Ironia – quando se diz algo querendo dizer exatamente o contrário. Ele é o máximo: tirou dois na prova.
Eufemismo – uso de formas mais amenas para dizer algo que choque o interlocutor. Sua tia descansou para sempre.
Amplificação – enumeração das qualidades de um ser de tal modo que elas vão se ampliando e somando. “A vida é o dia de hoje, a vida é ai que mal soa, a vida é sombra que foge, a vida é nuvem que voa.” (João de Deus)
Gradação (clímax) – apresentação de idéias em progressão ascendente ou descendente. Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. (Pe. Vieira)
Paradoxo – consiste esta figura, em usar, intencionalmente, o contra-senso.
Valentia covarde








Anáfora – repetição de palavra ou frase no início de versos ou frases. “É preciso casar João, é preciso suportar Antônio, é preciso odiar Melquíades, é preciso substituir nós todos” (Carlos Drummond de Andrade)
Inversão (anástrofe) – alteração da ordem normal dos termos na oração ou das orações no período com o fim de lhes dar destaque. ... imitar era o meio indicado; fingida era a inspiração, e artificial o entusiasmo (Gonçalves Dias) / quando a inversão é violenta, forma-se o hipérbatoimitar indicado o meio era.
Pleonasmo – repetição de uma idéia (com ou sem repetição de palavras) para tornar a expressão enfática. Vi, claramente visto, a raiva sentida. Obs.: pleonasmo vicioso é um vício de linguagem que consiste na redundância de palavras ou expressões: Vi com meus próprios olhos.
Polissíndeto – repetição intencional e enfática da conjunção e. O mar é calmo, e belo, e verde, e deserto.
Assíndeto – omissão da conjunção e ou dos conectivos aditivos. “É o órgão da fé, o órgão da esperança, o órgão do ideal.” (Rui Barbosa)
Elipse (zeugma) – omissão de palavras ou expressões facilmente subentendidas. “O mar é ― largo sereno; O céu ― um manto azulado” (Casimiro de Abreu)
Anacoluto – ocorre quando há interrupção na frase, iniciando-se outra sem conexão sintática com a anterior. Tua língua materna, nunca vi idioma mais complicado.
Onomatopéia – reprodução escrita ou falada de sons e ruídos. Tic-tac!” Batia, com desespero, o relógio da sala de estar.







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