A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quinta-feira, 18 de junho de 2020

Sobre as revoluções, por Juleni Andrade

Tudo que pensamos atualmente é um composto, como aqueles adubos orgânicos feito com restos...

Deuses e demônios assombram o imaginário humano. Isto é conveniente. Não temos as repostas definitivas para velhas indagações. Por isso, o sobrenatural passa a explicar o aparentemente inexplicável. É a sobrevivência do mito, mesmo após Sócrates.

Nossa Filosofia está amarrada aos preceitos neoplatônicos, aristotélicos. Ora surgem filósofos reafirmando, com uma moldura nova, tais preceitos, ora surgem os que atacam. Mas, sempre, recorrendo ao passado. Transgressão nenhuma ocorre, não há criação. Conceitos de belo, de estética, de arte, de felicidade... tudo é um misto de teorias antigas. Por que isso acontece? Os transgressores são hostilizados, não ganham espaço.

A literatura dá seus saltos, vez por outra. Muitas das vezes, é na marginalidade que ocorrem revoluções.

JULENI ANDRADE

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