A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 17 de junho de 2020

Sem leitores, teremos autores?, por Juleni Andrade - www.inspiraturas.org

Perante uma obra literária, o leitor leigo irá sensibilizar-se ou não; um crítico de literatura irá analisar o estilo, compondo sua tese sobre a forma da escrita. E o artista? Ele usa a arte com um objetivo. Poderia citar alguns acadêmicos da ABL que mesmo considerados, pelos críticos mais confiáveis, lá estão sem ter sensibilizado nenhum leitor. Também, poderia fazer uma lista de autores considerados por críticos como péssimos e que vendem rios de livros. Ainda, poderia fazer uma relação de autores que nem receberam crítica e são ótimos para muitos leitores.

Todo julgamento é relativo, depende do momento e das circunstâncias. Além, de haver uma classe de críticos e manchetes encomendados por autores e editoras. Vivemos num mundo capitalista: tudo ou quase tudo pelo lucro.

Considero a instrumentação teórica do artista muito relevante para o aprimoramento de sua obra... mas isso não é imprescindível.

A análise de estilos literários é fascinante, mas não está acima da sensibilização causada pela literatura. Essa mania de colocar a teoria acima do sensibilizar acaba prejudicando a formação de novos leitores, por exemplo. Vejo isso acontecer na educação formal, professores impedindo o nascimento de novos leitores, matando o gosto pela leitura sem compromisso. 

Sem leitores teremos autores?

Juleni Andrade

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