Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas tu podes treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.
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quinta-feira, 28 de maio de 2020

aprende


aprende

expande
            moléculas do ar
aprende 
                    com aquilo que sente
                           e com o que falta
escuta o arrebol
    que rasga o véu
            e declina na mata

inspira prende solta
             língua solta
          olhar ausente
imita as correntes
das águas do mar

escapa                   
da razão eloquente
e após desacata
as benesses do bem
as maldades do mal

                   no final
não resta um vintém
as crendices são mortas
esconde as tolices
depois fecha a porta

inspira prende solta
             língua solta
          olhar ausente
imita as correntes
das águas do mar

aprende a amar
se amar vale a pena
declama um poema
na língua do sol

sacharuk

sexta-feira, 22 de maio de 2020

mágica nuança

mágica nuança

ainda que o narizinho
de delineadas finezas
apontasse as nuvens
repletas de petulâncias
o olhar se encontrava
distante e perdido
no campo de algodão

os traços revestidos
derramavam vestígios
introspectiva suavidade

raro vê-la assim
tal preciosidade
outra mágica nuança
dentre tantas belezas

sacharuk


segunda-feira, 18 de maio de 2020

Desafio Fluxo de Consciência - Monólogo interior - www.inspiraturas.org


O Monólogo Interior

O monólogo interior é uma técnica literária que trata de reproduzir os mecanismos do pensamento no texto. Caracteriza-se por transcorrer na mente da personagem, como se o "eu" falasse a si próprio. Daí considerar-se o monólogo interior subentende a presença de um interlocutor, "o tu" (com quem se fala), ou seja, "o outro". Já por aí se vê, portanto, que teremos uma personagem desdobrada em duas entidades mentais: "o eu e o tu", ou melhor, "o eu e o outro", que trocam ideias ou impressões, confrontam-se, discutem e tentam se entender como pessoas diferentes.

De dois modos pode apresentar-se o monólogo interior:

a) Diretamente, sem marcas de intervenção do narrador, como introduções ou intercalações do tipo: pensava ele, dizia-se etc.; e mesmo as aspas. De maneira que a personagem expõe o conteúdo subterrâneo de sua mente, tendo o presente (do pensamento) como tempo dominante, numa espécie de confidência (direta) ao leitor, sem barreiras de qualquer ordem e sem obediência à normalidade gramatical.

A cama desaparece aos poucos, as paredes do aposento se afastam, tombam vencidas. E eu estou no mundo solta e fina como uma corça na planície. Levanto-me suave como um sopro, ergo minha cabeça de mundo, do tempo, de Deus. Mergulho e depois emerjo, como de nuvens, das terras ainda não possíveis, ah ainda não possíveis. Daquelas que eu ainda não soube imaginar, mas que brotarão. Ando, deslizo, continuo, continuo... Sempre sem parar, distraindo minha sede cansada de pousar num fim [...] — Estou me enganando preciso voltar. Não sinto loucura no desejo de morder estrelas, mas ainda existe a terra... (Clarice Lispector – Perto do Coração Selvagem)

b) Indiretamente, com a intervenção do narrador na transcrição do fluxo mental da personagem, que comenta, discute e explica (em 3ª pessoa), como se este detivesse o privilégio de sondar-lhe e captar-lhe o mundo psíquico sem deformá-lo, pelo menos aparentemente. Tudo se passa como se a personagem não conseguisse exprimir sua tumultuada psique. Forma-se então, no monólogo interior indireto, o triângulo narrador/protagonista/leitor, ao passo que no direto o primeiro desaparece completamente.

"De manhã. Onde estivera alguma vez, em que terra estranha e milagrosa já pousara para agora sentir-lhe o perfume? Folhas secas sobre a terra úmida. O coração apertou-se-lhe devagar, abriu-se, ela não respirou um momento esperando... Era de manhã, sabia que era de manhã... recuando como pela mão frágil de uma criança, ouviu abafado como em sonho, galinhas arranhando a terra. Uma terra quente, seca... o relógio batendo tin-dlen... tin-dlen... o sol chovendo em pequenas rosas amarelas e vermelhas sobre as casas. Deus, o que era aquilo senão ela mesma? Mas quando? Não, sempre..." (Clarice Lispector – Perto do Coração Selvagem)
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DESAFIO:

Esse é um desafio diferente. Sente-o e não tentes compreendê-lo.

Ele serve para derramar:

- fluxo da consciência;
- fluxo da inconsciência;
- sentimentos e sentidos, com ou sem direção.
- o que se tem por dentro, tirando qualquer tipo de barreira ou mito sobre o que se passa conosco sem precisar ser totalmente cognitivo ou algo parecido.

Quando as palavras ainda são pouco, derrama a ideia. Nada é insano e despropositado, apenas os olhares são diferentes e, talvez, a estética.

Então estamos combinados: se fores mergulhar, sobe para nos contar como foi. 
 
Boas inspirações!