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A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sacharuk escreve em inspiraturas.org

sakura

sakura

quebradiço é o galho
que suspende a existência
eis que o tempo
envolve a efêmera flor
em transitória delicadeza

ouve o destino que clama
a perecer em tuas pétalas
ao chão do bosque copado
derrama nas dores humanas
teu aroma perfumado

floresço a ti com ardor
sakura amada
a esperança confiou-me o nome
e o empenho das madrugadas

assim um só nós seremos
no parque das cerejeiras
eis que o tempo
envolve a efêmera flor
recria o espaço das certezas

sacharuk

painting by Lilian Patrice


para te versos

para te versos

a noite é companhia
portanto não ando sol
tenho o corpo nuvens
e minha alma lua
a transmutar poesia

sacharuk




sufoco do tempo


sufoco do tempo

o tempo
anda perdido do tempo
sufoca nas ruas silentes
sucumbe ao boicote do vento
satura quarenta porcento
precisa ser intubado
repassa cenas do passado
escuta vozes distantes
percorre a esteira claudicante
vai dormir tão cansado
quase morto ao relento

sacharuk